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Plantas Ornamentais e Hortaliças: pragas

Controle de caracóis e lesmas em hortaliças e plantas ornamentais.

Vamos cuidar de nossos jardins !!!



 
 
As lesmas e caracóis são moluscos responsáveis por perdas econômicas na produção de hortaliças e plantas ornamentais .



Provocam tanto prejuízos quantitativos quanto qualitativos, pois, além de diminuírem a produtividade, depreciam o produto reduzindo seu valor devido à presença de muco ou mesmo dos próprios animais nas hortaliças. Em plantas ornamentais causam danos estéticos que, em alguns casos, são limitantes. 

lesmas
Os prejuízos econômicos podem ser variáveis, dependendo do tipo de cultura atacada. No caso de plantio direto, hoje bastante difundido, houve um aumento significativo dos moluscos pragas. Por exemplo, em feijão, há uma redução em cerca de 20% da produtividade. 

Os caracóis e lesmas vivem em locais úmidos e sombreados, danificando plantas normalmente durante a noite. Em condições nebulosas e com alta umidade, eles podem ser vistos durante o dia, após as chuvas. Esses animais raspam com uma estrutura chamada rádula, as folhas, caules e brotos novos, podendo, em infestações severas, levar a morte das plantas.




Resumidamente, o manejo envolve uma série de medidas, como o uso de iscas tóxicas à base de metaldeído, coleta manual de adultos e uso de armadilhas à base de cerveja ou leite, ou restos culturais, além do uso de faixas de cal ou cinza, com pelo menos 20 cm de largura, ao redor da cultura. 

Práticas de manejo de moluscos em hortaliças e plantas ornamentais: 

Catação: a coleta manual de adultos é factível, quando a área cultivada for pequena. Deve-se coletar os adultos com luvas de borracha ou sacos plásticos, pois os moluscos podem transmitir doenças ao homem através de sua mucosidade. Os adultos deverão ser destruídos em água fervente ou manualmente.

Iscas tóxicas: normalmente à base de metaldeído (produto medianamente tóxico), são pellets que devem ser distribuídos na dose de 50 gramas por metro quadrado, obtendo redução de mais de 80% da população infestante. Há também no mercado uma isca à base de fosfato férrico, também em forma de pellets, mas de menor impacto ambiental (menos tóxica a animais silvestres, domésticos, etc.), que poderá ser utilizada seguindo-se as orientações do fabricante. 

Armadilhas atrativas: consistem em estopa ou panos embebidos em cerveja ou leite dispostos junto à cultura infestada. Colocar estas armadilhas ao anoitecer e recolher no dia seguinte bem cedo. Tanto a cerveja quanto o leite atraem lesmas e caracóis, os quais deverão ser recolhidos e destruídos manualmente ou em água fervente. Também poderão ser dispostos restos de hortaliças (talos, folhas, etc.) como atrativos, sobre jornais ou lona plástica. 

Cal ou cinza: dispostos em faixas de 20 cm de largura em volta da cultura. Estas faixas dificultam o acesso de lesmas e caracóis à cultura. Após cada chuva ou semanalmente, deve-se repetir o procedimento.

Caramujo-gigante-africano 



A introdução da espécie Achatina fulica (Caramujo-gigante-africano), no Brasil, para fins comerciais em substituição ao escargot (Helix spp.), fez com que ela se tornasse uma praga agrícola e urbana de importância econômica (infestam ornamentais, hortaliças diversas como feijão, batata, batata-doce, etc.) 

Por ser uma espécie exótica e extremamente agressiva, tanto na procura por alimentos quanto em sua reprodução, não possui inimigos naturais e compete com espécies nativas podendo levar à diminuição da diversidade de moluscos de uma região. É encontrada em todas as partes do país. Além dos danos econômicos, também possui importância sanitária, pois pode transmitir vermes prejudiciais à saúde humana, os quais são causadores de doenças graves com sintomas variando entre distúrbios do sistema nervoso, fortes e constantes dores de cabeça, perfuração intestinal e hemorragia abdominal, resultando, em alguns casos, em óbito. Por isso, ele deve ser capturado apenas com o uso de luvas de borracha ou sacos plásticos. 

Há vários outros caramujos nativos, alguns parecidos com a A. fulica. O caramujo gigante africano normalmente é de grande porte, possui concha escura, algumas vezes raiadas com cores mais claras e borda da concha fina (diferente do Megalobulimus sp., que é um caramujo também de grande porte, nativo e que possui concha normalmente mais clara e de borda espessa). 

As iscas tóxicas só deverão ser usadas quando a espécie infestante causar danos significativos, evitando assim a aplicação desnecessária e a eliminação de espécies não-praga.

Francisco José Zorzenon
Tércio Barbosa de Campos
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal